19 de junho de 2013

Antes do confronto entre Brasil e México, cenário é de guerra ao redor do Castelão

O objetivo da multidão é chegar perto da Arena e clamar contra a corrupção, reclamar pela insuficiência dos serviços públicos e exigir auditorias nos gastos das obras do Mundial.

Cerca de 30 mil pessoas, segundo a polícia militar, e 40 mil conforme os manifestantes, protestam a dois quilômetros na única via de acesso ao Estádio Castelão, palco do jogo entre Brasil e México às 16h.
O objetivo da multidão é chegar perto da Arena e clamar contra a corrupção, reclamar pela insuficiência dos serviços públicos e exigir auditorias nos gastos das obras do Mundial.
Os primeiros choques já aconteceram. Há carros incendiados.
A Polícia teme que o público para a partida seja prejudicado, já que a passeata impede a passagem dos torcedores na direção da Arena. Se o estádio não lotar, será este o motivo, já que todos os ingressos foram vendidos.
A manifestação foi convocada pelas redes sociais, especialmente o Facebook, desde ontem à tarde. Já era para ter sido realizado algo do gênero no treino realizado no Presidente Vargas, mas um atraso na saída dos estudantes do local marcado prejudicou o ato.
Desta vez, entretanto, o protesto é gigante. Estive na zona de conflito. Dava para ver a multidão se aproximando das cercanias da Arena, na direção do pelotão de choque.
— Em três filas horizontais, vocês aqui! Ali, uma vertical, se precisar entrar! — orientava o subcomandante de policiamento de Fortaleza, coronel Marcelo Furtado, quando percebeu a multidão descendo da área do supermercado Makro, na Avenida Alberto Craveiro, um ponto de encontro definido no Facebook.
— Tínhamos informações dando conta de que o confronto será inevitável — me disse Furtado antes do conflito.
— Eu não comprei ingresso por que não tenho dinheiro. É muito caro. Quero ir até lá protestar. Qual o problema? — perguntou um anônimo que se desprendeu da multidão e foi conversar com o coronel.
Como transitei entre os soldados, vi que todos estavam fortemente armados: pistolas, metralhadoras para disparar balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio nos coletes. Estavam todos com farta munição. O clima era tenso entre os pelotões. Os manifestantes gritavam para os repórteres:
— Nós estamos desarmados, eles não. Vocês estão vendo! — disse um deles, em tom ameaçador, cerca de 20 minutos antes de o confronto eclodir.
Confira as fotos do confronto entre policiais e manifestantes:
Antes do confronto entre Brasil e México, cenário é de guerra ao redor do Castelão Vanderlei Almeida/AFP







Diogo Olivier, enviado especial a Fortaleza

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